quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

À Sós Com o Desespero


Ao anoitecer Eu m'encontrei num pântano,
Que a visão poderia sustentar a escassez:
A pobre terra negra, traça corajosa o contorno,
Era intratável com as dores.

Esta é a cena, como a minha vida”, Eu disse
É u'a das trevas que se deve tolerar”;
Enfraquecida pelo destino da qual sentisse
Sem luz alguma à procurar.

Num relance olhei, o prazer capturado
P'ra ver o contraste lá;
A nuvem no lance sombrio e carregado,
Penso que “consolo algum há”.

Então numa auto-recriminação, Eu imaginei
Estar lidando silenciosamente
Com u'a perversa, e na qual cobicei;
(U'a) sem graça rebelião agonizante.

Contra a roda que ofusca o horizonte
Sem discernir a forma, cheia de bolor,
Aquilo era horrível, desamparado na ponte
Senti apodrecer a fé ante ao temor.

'Té um ponto morto, a mentira foi pela luz
P'ra sombras!” resmungou a Coisa,
Não, se puder olhar pro alto!” E me pus
Replicando na intenção duma nova pesquisa.

Claro- mas espere um pouco, gritou Ele-
Olhe no ar agora e veja!”
Olhei. Se sentou diante da noite daquele
Jeito efêmero. Depois se foi com inveja. 

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Onde Minh'alma É Feliz


Meu amado irmão
Pense com afeição
Já que estarei, em romagem,
Conhecendo alegre,
Conhecendo-me acre
No recanto que tem tua imagem!
As nuvens aveludadas
Pelas gotas suavizadas
São da chuva que tanto procuro
Calado e perseverante
Apenas compreendendo
Ainda magoado meu eu obscuro.

Mas lá, reina a calmaria,
Paz, em repleta harmonia.

Os relicários perdidos,
Foram mal empregados,
Pois resguardariam a pureza;
As águas bentas cuspidas
Pelas bocas intumescidas
Forma uma poça de tal vileza.

Cúpulas em excelso,
Afastam o teu amuo,
Provindas dalgum oriente,
Resvala-me a alma
Pelo ermo que ama
Deste doce Éden indolente.

Mas lá, reina a calmaria,
Paz, em repleta harmonia.

Vê sobre os juncais,
À ofertar esponsais
A vida que te ama eternamente;
Enquanto atendem
Seu anso também,
Se acaso o fim for precocemente.
Das frias catedrais,
Soam sons guturais,
Vertendo orações, pela cidade,
E em sua aura comove;
O mundo que se move,
Silente ou não pela rivalidade.

Mas lá, reina a calmaria,
Paz, em repleta harmonia.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Balada do Zéfiro



Eu escondi meu coração num ninho de rosas,
Longe do brilho do sol, tão bem escondido,
Numa cama macia, tanto quanto as silenciosas
Rosas sob a neve do meu coração protegido.
Por que ele não dorme? Porque deveria iniciar,
Quando nenhuma roseira tivesse-o esquecido?
O que o fez dormir ao vibrar suas asas devagar?
Apenas a canção de um pássaro em segredo.

Fico ainda, Eu disse, p'ra que o vento nas dobras,
Leve ao zéfiro o abafo do sol que aponta o dardo,
Fico, porque o vento quente cochila em águas rasas,
E o vento é inquieto como o seu hálito consumido.
Será que ambos provocam feridas ao se desabrochar?
Será que a presa ao ser levada tem seu dom adiado?
Não demonstra nos lábios o seu eólico dispersar?
Apenas a canção de um pássaro em segredo.

O nome desta região esverdeante é como das pérolas,
Jamais escrito por algum viajante enfraquecido,
Na estadia por entre as doces mordidas das frutas,
Que nunca foram vendidas num mercado atulhado.
Os pássaros dos sonhos vagam pelo campo ao revoar,
E dormem na copa ao tom prazeroso pro ouvido,
Note na mata virgem o descanso e o despertar,
Apenas a canção de um pássaro em segredo.


Envoi


No meu mundo dos sonhos que ao me ofertar,-
Fui desperto de um sono na estação do conhecido
E musical verdadeiro amor ou da arte de amar;
Apenas a canção de um pássaro em segredo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Funeral d'Uma Criança


Através da estrada etérea su'asas no voo instantâneo,
Para a mais pura região do celestial conterrâneo,
A luz ampliada descrevendo seu sistema incontável,
Abaixo dele se vê o todo com sua forma inexorável,
Planetas e planetas executam a rota destinada,
E circulam preenchendo o vazio na vasta camada,
O manto etéreo agora, e agora o céu empíreo,
Num esplendor ascendente, os olhos fitam o fulvo;
Os anjos a veem com tal desconhecido prazer,
Tocam em sua mão macia e a põe num belo mister;-
No sólio- e sorrindo dizem: “p'ra essa morada divina,
O assento dos santos, dos serafins que regem a sina,
Tendo Deus como regente- “Três vezes bem-vinda”
Replica a criança “Graças ao Pai tornou numa rajada”
Triunfante aqui estou dando-Lhe a posse do coração,
Ainda que lá tenha tentando iludir numa tentação,
E ainda sobre as ações do pecado Eu tenha fitado,
E ainda que da terrível tentação houvesse tencionado,
E ainda um chicote para os crimes que Eu sentia,
E a vaidade é que levou a culpa da minha consciência,
Mas, finalmente chegou a minha meta celestial,
Repleta de glória a mi'alma numa expansão magistral”,
Alegre, Ele falou: na roda de querubins exultando,
Bateram su'asas contentes; no céu ressoando,
Diz aos pais, por que este gemido inútil?
Por que se apertava ao seio a pensar no gemido fútil?
Para os pais, diga a eles, o casal triste da canção,
Um mundo mais brilhante e verde a eles pertencerão,
Diga que você irá chorar nas esferas superiores,
Por desejos impensados e pressupostos amores,
Faria a sua felicidade aumentar-lhes a dor existente?
Ou poderia este mundo te receber novamente?
O herdeiro da felicidade, com um ar superior,
Parece que Ele responde com um sorriso confessor,
Tronos e domínios nada podem me tentar lá”
Mas, ainda sim choram, “podemos parar de suspirar já,
E por aqui, ainda não devemos derramar u'a lágrima?
Nossa única esperança, a nossa mais preciosa alma,
Nove meses no ventre passaram p'ra depois morrer,
Amado filho, tantas visões presas na morte ei de ter,
Queria-o em meus braços, e te receber com alegria,
Eu contente o abraçaria em meu peito com energia,
As moscas voam, deixando esta desventurada criança”,
Para além do céu depositem a vossa fé com confiança,
Ascendendo e preparem-se para deixa-lo na herança
Que é rodeada de prazeres sem medida, sem mudança.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Antes o Silêncio do Que a Discussão

  Nosso Amor agora fede decomposto,
  A carniça arruinada, o Sol esquenta-lo...
  O mesmo, de seus raios abençoa-lo,
  Por que ris, do choro em cada rosto?


  O silêncio, minh'amada é o oposto,
  Dos vermes viventes, no que foi belo,
  E da entreaberta flor, germina o apelo!
  Nascendo outra fonte, d'um tal desgosto...


  Esconda teu ventre, cubra-o silente,
  Regurgite a ideia, nem idealize me amar,
  Sua morte ou a minha, ainda é eminente.


  Profano, e maldito, d'uma crua torpeza,
  Por que darmos certos, é loucura tentar,
   — Ainda, morreríamos co' plena certeza!

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Paixões do Crepúsculo



  Como é belo o Sol erguido no céu sorridente,
  E com sua centelha nos lança seu bom-dia.
  — Bendito aquele que pode com sua alegria
  Felicitar a plenos pulmões o excelso poente.


  Rememoro-me! Eu vi a flor, arrimada na fonte,
  Mirrar sob a fulgência da minha pupila ardida...
  — Vamos admirar ao pôr-do-sol à toda brida,
  P'ra quem sabe abraçar seu raio no horizonte.


  Mas eu insisto em vão em evocar a Paixão,
  A inelutável Noite, acompanhou esta afeição...
  Vultuosa, aziaga, erma de consolo e fulgor.


  Um eflúvio do jazigo pelas trevas emanou,
  E por entre o palude cabisbaixo se dissipou,
  A esperança fugidia, rechaçada pelo langor!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Olhar Sombrio


  Havia reservado o melhor para o final,
  E d'um olhar atilado, símile a violácea
  Presença, revia a parte d'alma vazia...
  Antecipando os nuances da Dor eternal.

  Apontava com a mão p'ra esta miséria:
  — Não hei de orar... Alcançando o umbral!
  Conquanto o réquiem firme e celestial,
  Ressoe inabalável seu canto co' energia.

  A morada era atingida, por entre a canção,
  Sombreada na espera, de tua aparição...
  — Enfim dormiria serena, pelo evo negro.

  Sufraguei enfim, próximo da imensidade;
  — Amor — nossos olhos virão a eternidade,
  E meu canto há de atravessar teu espectro!